Brasil: mito fundador e sociedade autoritária
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Nesta obra, Marilena Chaui analisa as representações que estruturam a ideia de Brasil desde a colonização até o presente, defendendo que a sociedade brasileira se organiza a partir de um mito fundador que naturaliza a desigualdade, a violência social e o autoritarismo. Essa narrativa apresenta o país como um "dom de Deus e da natureza", pacífico, harmonioso, mestiço e sem conflitos profundos, ocultando as relações históricas de dominação, discriminação e exploração.
Ao analisar símbolos nacionais, discursos sobre identidade e celebrações cívicas, Chaui mostra como esse mito se atualiza ao longo do tempo, funcionando como um mecanismo ideológico que bloqueia a percepção das divisões sociais e legitima a concentração de poder do Estado. Assim, este livro propõe uma leitura crítica da formação nacional, revelando como a exaltação da unidade e da cordialidade convive com a exclusão, com o racismo estrutural e com a fragilidade da democracia.
Luto e melancolia
Precedido por Transitoriedade
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Esta edição reúne dois importantes ensaios de Sigmund Freud: Transitoriedade (1916) e Luto e melancolia (1917). No primeiro, Freud reflete sobre a dificuldade humana de usufruir da beleza e dos valores da vida diante da consciência de sua finitude. A partir da ideia de que toda beleza está condenada a desaparecer, o autor questiona a associação entre transitoriedade e desvalorização. Para ele, o caráter efêmero das coisas não diminui seu valor; pelo contrário, é a limitação no tempo que intensifica sua preciosidade.
Já em Luto e melancolia, Freud analisa dois modos distintos de resposta psíquica à perda: o luto, descrito como uma reação normal à perda de uma pessoa amada ou de uma abstração equivalente, como a pátria ou um ideal; e a melancolia, que apresenta sintomas semelhantes, mas se distingue por um rebaixamento profundo do sentimento de si.
A travessia entre esses dois ensaios revela um avanço teórico do autor e uma leitura crítica do sofrimento individual e social, sugerindo o luto como condição indispensável para a reconstrução simbólica em tempos de colapso.
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Virginia Woolf escreveu poucos contos, muitos deles meros esboços, exercícios, ensaios de escrita. Mas em alguns estão concentradas características de seus romances mais experimentais: a rejeição do realismo literário, o uso de técnicas narrativas pouco ortodoxas, a experimentação com a estrutura e a sintaxe. A presente coletânea reúne os melhores desses contos.
"O legado" pertence ao conjunto dos seus contos mais convencionais, mas serve de contraste para melhor apreciação das ousadas técnicas que caracterizam os outros quatro aqui incluídos: "A marca na parede", "Objetos sólidos", "A dama no espelho" e "Kew Gardens".
O Homem da Areia
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A nova tradução de O Homem da Areia (Der Sandmann) recoloca em circulação um texto que, desde o início do século XIX, tem funcionado como um ponto de convergência para debates sobre estética, psicologia e a porosidade entre ficção e realidade, fantasia e verdade - um problema que adquire ressonância particular para o leitor contemporâneo, frequentemente situado em cenários descritos como de "pós-verdade". Escrito por E. T. A. Hoffmann, o conto transcendeu sua classificação inicial como narrativa fantástica para se tornar um objeto recorrente de reflexão na psicanálise, na teoria literária e, mais recentemente, nas discussões sobre o pós-humano e a inteligência artificial.
A recepção moderna do conto é inseparável do ensaio de 1919 em que Sigmund Freud formula o conceito de Das Unheimliche [O infamiliar] - publicado em edição bilíngue pela Autêntica Editora na Coleção Obras Incompletas de Sigmund Freud. Ao tomar o conto de Hoffmann como exemplo central, Freud não se limita a ilustrar uma noção teórica previamente estabelecida; ele reconhece no texto literário um campo privilegiado de elaboração de uma experiência psíquica específica, um determinado tipo de angústia.
Bartleby, o escrevente
Uma história de Wall Street
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Um advogado nova-iorquino de meados do século XIX resolve contratar um novo copista. Atendendo ao anúncio do advogado, apresenta-se à porta de seu escritório um jovem que ele caracteriza como uma figura "palidamente asseada, lastimosamente respeitável, incuravelmente desolada! Era Bartleby". No começo, o novo copista trabalhava fazendo o que se esperava dele: cópias. Mas, depois, bem, depois, não vamos estragar a história.
Bartleby, o escrevente, publicado pela primeira vez em 1853, é um conto de Herman Melville (1819-1891), o autor de Moby Dick. O personagem central é tão marcante e tem uma força tal que a história tem fascinado leitores e críticos desde sua primeira publicação.
Foi, contemporaneamente, teorizado por filósofos tão ilustres quanto Gilles Deleuze, Jacques Derrida e Giorgio Agamben (v. Bartleby, ou da contingência, Autêntica, 2015).
O Pintor Da Vida Moderna
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No final de 1863, Charles Baudelaire publica, no jornal Le Figaro, um ensaio em três partes que se tornaria referência cannica para a noção de modernidade em arte e literatura: O Pintor da Vida moderna. Nele, o autor descreve e analisa a obra do pintor Constantin Guys, que, para ele, captaria alguns dos aspectos definidores da vida moderna: a instantaneidade, o transitório, o fugidio, o contingente. O ensaio contribuiu para uma mudança de paradigma na arte, ao sugerir que a arte não deve se prender a ideais clássicos, mas sim refletir a realidade em constante transformação. Esta edição do texto de Baudelaire, que tem tradução e notas de Tomaz Tadeu, é enriquecida com uma galeria digital exclusiva, com as preciosas e deliciosas imagens de Constantin Guys, reunidas por Jérme Dufilho, especialista francês da obra do pintor.
Constelações
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A História, para Walter Benjamin, precisava ser apresentada como uma Constelação, em que o passado e o presente se chocam em pontos de interrupção, lampejos de verdade e formação de consensos que podem ser atualizados. Em cem anos de uso a partir da data de lançamento de Origem do drama trágico alemão, a noção de Constelação espraiou-se para inúmeros campos do conhecimento. Do cinema para arquitetura, tornando-se fundamental também para quem trabalha com curadoria. Nessa seleta, o pesquisador Thiago Soares reúne textos do pensador alemão sobre essa noção, destacando a originalidade do seu pensamento ensaístico. "A noção de Constelação em Walter Benjamin segue sendo um importante antídoto para a construção do conhecimento de mundos em crise, na tentativa de evitar ou promover colapsos em torno de formas de apresentar ideias", aponta Soares.
O Mal-estar Na Cultura
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Por que sentimos que a felicidade é incompatível com as exigências da vida em sociedade?
Publicado em 1930, O mal-estar na cultura é o ensaio mais célebre de Sigmund Freud e obra fundamental para a compreensão dos dilemas da vida moderna, tanto para o indivíduo concreto quanto coletivamente. Aqui, Freud investiga a tensão entre o desejo do sujeito e as restrições impostas pela vida em sociedade, que gera um constante estado de tensão e infelicidade. Partindo do antagonismo entre as exigências de satisfação pulsional e as restrições impostas pela cultura, o autor demonstra que o progresso da civilização se dá às custas de uma insatisfação constante, tornando a busca pela felicidade um desafio permanente. Mais do que um estudo de psicanálise, este texto é uma reflexão atemporal sobre os conflitos da existência humana, essencial para compreender os desafios éticos, psíquicos e sociais da contemporaneidade.
Teoria Do Conto
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Teoria do Conto, de Nádia Battella Gotlib, é uma referência indispensável para estudantes e amantes da narrativa curta. Em linguagem acessível e estruturada, a autora aborda desde as origens do conto, sua evolução e definições, até as contribuições de teóricos como Poe, Propp e Tchekhov. Com exemplos literários que atravessam épocas e culturas, o livro explora os elementos essenciais do conto, como brevidade, unidade de efeito e compactação textual, tornando-se um guia essencial para compreender e apreciar essa forma literária única.
"Escrito originalmente para o público universitário dos anos 1980, este livro agora resgatado assume grande atualidade, diante da expansão de oficinas literárias e cursos livres de literatura. Vivemos um momento transformativo, de conquista da palavra escrita por pessoas e grupos sociais antes silenciados. Este Teoria do conto é um excelente guia para o fortalecimento desse empenho."
Italo Moriconi
Antropologia Do Ciborgue
As Vertigens Do Pós-humano
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Este livro reúne ensaios que exploram as complexas interseções entre tecnologia, corpo e identidade na contemporaneidade, tendo como figura central o ciborgue, símbolo da fusão entre o natural e o artificial. O destaque da coletânea é "Manifesto Ciborgue: Ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX", de Donna Haraway, ensaio em que desafia dicotomias tradicionais como humano/máquina, natureza/cultura, homem/mulher, questionando estruturas de poder e hierarquias. Hari Kunzru e Tomaz Tadeu, inspirados nas ideias de Haraway, ampliam o debate sobre as implicações sociais e culturais da tecnociência, destacando como estamos cada vez mais incorporados em redes tecnológicas que transformam nossos corpos e relações.
Caso Dora
Fragmento de Uma Análise de Um Caso de Histeria
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O Caso Dora, publicado em 1905 com o título Fragmento de uma análise de um caso de histeria, é um dos mais emblemáticos casos clínicos de Freud. O texto traz a análise inacabada de Ida Bauer, que ficou conhecida como Dora, que abandonou o tratamento precocemente. No relato, Freud examina os sintomas histéricos da paciente e suas relações familiares, revelando as dinâmicas da transferência e os conflitos psíquicos ligados ao desejo, à repressão, ao recalcamento e à feminilidade. Este caso se tornou um marco na psicanálise e segue sendo amplamente debatido, dentro e fora da clínica psicanalítica. Feministas, críticos literários e estudiosos de gênero problematizam sua leitura da feminilidade e do desejo, enquanto psicanalistas voltam a ele para repensar a técnica. De uma forma ou de outra, Dora continua sendo o paradigma da histeria e de suas inúmeras variações. O caso interessa em muitos sentidos, especialmente pela forma como sua construção faz uso dos sonhos, a maneira como se constitui um sintoma neurótico, os mecanismos de identificação histérica e, especialmente, o manejo da transferência.